Pesquisadores da Unicentro e UEL criam a ‘Rede de Morangos do Brasil’

Por meio de um projeto de melhoramento genético, os pesquisadores buscam fomentar a produção de morangos no Brasil

Com melhoramento genético, os pesquisadores buscam fomentar a produção de morangos no Brasil (Foto: Gilson Abreu/AEN)

Pesquisadores da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) e da Universidade Estadual de Londrina (UEL) pretendem, por meio de um projeto de melhoramento genético, fomentar a produção de morangos no Brasil.

O objetivo é desenvolver cultivares com potencial produtivo e de fácil adaptação em diferentes Regiões do País. Dessa forma, o trabalho dos pesquisadores paranaenses deu origem à ‘Rede Morangos do Brasil’. Assim, a rede já conta com cerca de 50 pesquisadores e bolsistas ligados às duas universidades estaduais, além de institutos de pesquisa nacionais.

REDE MORANGOS DO BRASIL

De acordo com o pesquisador da Unicentro Paulo Roberto da Silva, a rede será um divisor de águas na pesquisa do morango no Brasil. “Hoje encontramos poucos estudos relacionados ao manejo e adaptação de cultivares em diferentes Regiões do País. Nosso objetivo é fortalecer, em um período de três anos, a cadeia produtiva de pequenos agricultores com pesquisas de ponta”.

Outro foco da pesquisa são as melhorias para avanços na cadeia produtiva do morangueiro, buscando à diminuição de custos e o aumento da produção e da qualidade de frutos. De acordo com o professor de Horticultura da UEL, Juliano Tadeu Vilela de Resende, o morango é cultivado em mais de 150 municípios, sendo a principal fonte de renda de cerca de 30 mil famílias.

“Com a rede, queremos aumentar a rentabilidade do produto e melhorar a qualidade de vida dos pequenos agricultores. Entretanto, sempre valorizando a sustentabilidade e um produto saudável para a mesa do consumidor”.

RECURSOS

De acordo com a Agência Estadual de Notícias, a iniciativa tem investimento anual de R$ 600 mil da Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, por meio da Unidade Gestora do Fundo Paraná (UGF). O recurso é utilizado na implementação de infraestruturas como casas de vegetação, câmaras frias, veículos, equipamentos de alta tecnologia e utensílios laboratoriais.

Conforme o superintendente da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Bona, o valor que será investido no projeto deve render bons frutos em curto prazo. “A UEL e a Unicentro, instituições que são referências nacionais no melhoramento genético da cultura, devem lançar, até 2023, as primeiras cultivares de morango genuinamente brasileiras, depois 30 anos”.

PRODUÇÃO E QUALIDADE

Cultivares são espécies de plantas que passaram por processo de melhoramento genético. Por isso, elas se distinguem das outras variedades da mesma espécie, por apresentar maior produção, qualidade e melhor adaptação ao clima da Região. Atualmente, o Brasil é dependente de cultivares desenvolvidas em outros países, pagando royalties por elas.

Além disso, o País também passa por um processo de estagnação dos programas de melhoramento genético, criando uma dependência dos agricultores em cultivares importadas de países como o Chile e Argentina. Com isso, o Brasil não lança uma cultivar de morango há mais de 30 anos.

PRODUÇÃO NACIONAL

Os estados de Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Espírito Santo e Santa Catarina respondem por cerca de 80% da produção de morangos no País. Por fim, estima-se que a área plantada tem aproximadamente 6 mil hectares, com produção total de cerca de 200 mil toneladas anuais.

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