Guarapuava e Região produzem 28% da safra de batata do Paraná

O Estado é o segundo maior produtor de batata do País, representando 20% da produção nacional. A Região de Guarapuava contribui nesse ranking

Produção e processo da batata  (Foto: Gilson Abreu/AEN)

Frita, assada, cozida, para fazer purê, engrossar a sopa ou comer com um franguinho. A batata se tornou ingrediente obrigatório em uma infinidade de pratos. Entretanto, o que poucos sabem é que uma em cada cinco batatas consumidas no Brasil nasce em solo paranaense. E grande percentual em Guarapuava.

De acordo com a Agência Estadual de Notícias, o Estado é o segundo maior produtor do país, com 20% da produção nacional. Perde apenas para Minas Gerais. Mas a expectativa é produzir 812,6 mil toneladas até o final da segunda safra, que termina antes do inverno.

Entretanto, dos solos de Guarapuava e dos municípios vizinhos saem 28% das batatas que estão nas feiras dos supermercados. E também nas barracas dos feirantes. De acordo com a Secretaria de Estado da Agricultura, a batata é o principal produto da olericultura paranaense.

Assim domina mais de um quarto da produção estadual nessa atividade. Entretanto, diferente das outras olerícolas, cujo plantio envolve agricultores familiares, nos arredores de Guarapuava a produção do tubérculo está nas mãos de médios e grandes produtores rural.

HÁ CERCA DE 30 ANOS NO RAMO

Osmar Kloster, produtor (Foto: Gilson Abreu/AEN)

Um exemplo é o produtor rural e empresário, Osmar Kloster de Oliveira. Há quase 30 anos no ramo, Osmar está envolvido em todo o processo da produção da batata. Conforme o produtor, ele possui uma área plantada de 250 hectares. Além disso, é proprietário de uma das oito beneficiadoras de Guarapuava. Dessa forma, a batata produzida por Kloster alimenta o mercado interno paranaense. Além de vender para São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

“Colhemos a batata de manhã e beneficiamos no mesmo dia, para no dia seguinte já estar nas Ceasas e nos atacadistas. Eles fazem a distribuição para os mercados e feiras. Todo esse processo ganhou muita agilidade nos últimos anos, com bastante tecnologia envolvida em cada etapa de produção”.

GERAÇÃO DE EMPREGOS

(Foto: Gilson Abreu/AEN)

Portanto, por se tratar de um produto bastante perecível, parte da colheita e do beneficiamento ainda exige bastante mão de obra. De acordo com Kloster, os produtores estimam que a atividade gera de cinco mil a seis mil postos de trabalho no auge da safra na região. “Entre dezembro e junho, quando acontece a colheita, as oito beneficiadoras da cidade empregam de 70 a 80 pessoas cada uma. No campo, uma máquina retira a batata do solo. Entretanto, para catar do chão o processo ocorre manualmente, o que também envolve muitos trabalhadores. Isso sem contar os empregos indiretos, de caminhoneiros, agrônomos, nas oficinas e revendas. A geração de emprego é muito boa”.

Introduzida em Guarapuava nos anos 1960, aproximadamente 120 agricultores chegaram a se envolver na cultura. Muitos deles incentivados pela Cooperativa Agrícola de Cotia, pioneira no cooperativismo no Brasil, que durou até 1994. Todavia, mesmo com um número menor de produtores, hoje são cerca de 60, a produtividade se manteve boa ao longo dos anos.

De acordo com o chefe do Escritório Regional da Secretaria de Agricultura, Arthur Bittencourt Filho, o clima favorável de Guarapuava é determinante para o sucesso da cultura. “Desde que começou aqui, a produtividade sempre foi forte em relação a outras regiões. A cooperativa ajudou muito para impulsionar a atividade e investiu em assistência técnica, financiamento e na comercialização”. Conforme o agrônomo, a grande maioria dos produtores planta uma área expressiva, de porte médio para grande, onde há o emprego de muita tecnologia.

TECNOLOGIA

Irrigação (Foto: Gilson Abreu/AEN)

Diferente dos cultivos de antigamente, os produtores agora têm em mão uma gama de estudos de melhoramento genético. Soma-se a preparação de solo, irrigação e um maquinário de ponta. Tudo isso agilizou e tornou mais forte a produtividade. Tanto é que a colheita média é de 800 sacos, ou quatro mil quilos, de batata por hectare plantado.

De acordo com a Agência Estadual de Notícias, um exemplo é na produção de sementes, que exige um processo bastante especializado e muito conhecimento genético. Um mini-tubérculo, livre de vírus e outras doenças, desenvolvido em laboratório pode ter reprodução por até duas gerações. Para se desenvolver, ele é plantado em regiões mais quentes. Portanto,  geralmente no Norte ou Noroeste do Paraná. Já maiores, as sementes voltam a Guarapuava e ficam armazenadas em câmeras frias. As temperaturas ficam controladas de 4ºC em média, para que o plantio seja escalonado entre as safras.

“A semente é como um plantio de batatas, mas que cuida muito da parte genética. Há muito cuidado para que ela não se infecte, por isso é usada apenas por duas gerações. Com o tempo e manuseio a qualidade se perde e diminui a produtividade”, conta Osmar Kloster. “Antigamente se fazia muito de tirar as miúdas para plantar no ano seguinte, pois tinham muito dinheiro para investir na próxima safra, o que diminuía a produção e acabava aumentando os custos”.

PREPARAÇÃO DO SOLO

(Foto: Gilson Abreu/AEN)

A preparação de solo é outra preocupação. O cultivo da batata é rotacionado: depois de colhida, um novo plantio só pode ocorrer naquela área três anos depois, para que não haja a disseminação de doenças que podem comprometer a produtividade. Enquanto isso, os produtores procuram outros locais para arrendar e aquele terreno dá lugar a outras culturas, como soja, cevada, trigo e milho.

“Ela acaba ajudando muito a melhorar o solo. Como na cultura de cereais é usado principalmente o plantio direto, a rotação com a batata ajuda a revirar a terra, além de deixar resíduos de adubo e correção de solo para as próximas culturas. Quando arrendamos, devolvemos um terreno melhor”.

No plantio, a irrigação é essencial, e os tubérculos são cultivados geralmente próximo a rios, para facilitar o acesso à água. Já o processo para que o alimento queridinho de muitos brasileiros chegue à mesa também é bastante tecnificado. Envolve mangueiras para a lavagem e muitas esteiras, engrenagens e pessoas que selecionam a melhor batata para ser comercializada.

SAFRA

(Foto: Gilson Abreu/AEN)

O Paraná cultiva duas safras de batata: a das águas, plantada entre agosto e dezembro, e a safra da seca, que é semeada nos meses de dezembro a maio. Da primeira, foram colhidas 460,6 mil toneladas, e a expectativa da segunda é colher 352 mil toneladas até o final de maio e início de junho, basicamente da variedade ágata, que domina a produção. Foi plantada, para toda a safra 2020/2021 do Paraná, uma área de 28,2 mil hectares.

O Valor Bruto de Produção (VBP) do tubérculo era de R$ 1,24 bilhão em 2019, no último cálculo do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento. A regional de Guarapuava respondia por 30% de todo o VBP da cultura no Estado, com um valor de quase R$ 383 milhões.

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