Luto no Reino de Santa Cruz

Lembrem-se caros leitores que é muito importante acompanhar as catástrofes do Reino (fictício) de Santa Cruz para que não deixemos acontecer aqui em nossa “Pátria amada, idolatrada, salve, salve” BRASIL!

Nosso correspondente exclusivo no reino (no caso eu mesmo) conseguiu mais algumas informações de coisas que ou são mentira ou só acontece lá.

A notícia que estampa todos os jornais impressos é esta: “EXTRA! EXTRA! A maior operação de combate à corrupção do reino acaba de ser ASSASSINADA a sangre frio!

Explico para aqueles que não entendem muito bem o que acontece naquela terra distante (tão próxima de nós). O fato é que o nível de corrupção era tão elevado que foi criada uma operação chamada “Limpa Carruagem” que era comandada por pelo Juiz Don Sergius que passou a mandar muitos figurões que cometeram Crimes de Colarinho RUFF para os calabouços. O mais notório destes crápulas foi o próprio Rei Bebum I, da Dinastia Mortadelle Rouge. Já que as provas contra o antigo rei eram irrefutáveis e ele, provavelmente iria morrer nas masmorras (ou nas galés) pelos crimes cometidos e também pelo fato do implacável agora ex-Juiz ter chegado muito próximo dos lordes parlamentares e, pior que isso, levou as garras da lei aos calcanhares da atual família real, iniciou-se todo um processo de não prender mais ninguém e ainda por cima livrar o líder supremo da corja, El Rey Barbudito. Ataram as mãos dos investigadores, amordaçaram os procuradores e começaram a envenenar lentamente a Operação Limpa Carruagem. A partir de dado momento todos os súditos souberam que ela iria morrer, tal qual a Crônica de uma morte anunciada, do saudoso Gabo.

Todavia, a trama shakespeariana para assassinar a operação ainda traria uma grande e inusitada virada em dois atos: o primeiro já explicitei aqui nesta coluna, no meu texto anterior, encenado por Don Canivetin e o ato final da trama diabólica para liberar o Corrupto Mor era fazer com que os súditos acreditassem que o Ex-Juiz Sergius não foi probo ao condenar o “pobre rei que veio das terras áridas do reino e chegou ao trono como o messias dos desvalidos”, Ccom isto toda a Operação cai em descrédito. No ápice do ato, estão reunidos os cinco de toga, no alto da torre fantasmagórica da justiça. Um a um os doutos lordes decidiam se cravavam um punhal nas costas da Limpa Carroça ou não. Como esperado o Dom Cara de Sapo e o Dom Trazendovisque enfiaram seus punhais de maneira abrupta e certeira. O Don Canivetinho já havia cravado um pequeno punhal no episódio comentado anteriormente e achou melhor não enfiar mais um. O novo magistrado indicado pelo novo Rei surpreendeu a todos não apunhalando. Nesta hora os súditos que não comem mortadela pensam aliviados: a Limpa Carroça está salva porque a Lady Karmelita no início da sanha assassina já havia se negado a cravar seu punhal.

Ledo engano desavisados leitores que não conhecem o Reino de Santa Cruz. Enquanto seus dois colegas ensandecidamente estocavam o quase moribundo corpo da Limpa Carroça, a aparentemente frágil Lady magistrada (que aliás nunca foi juíza de verdade) lembrou que havia sido conduzida à mais alta torre do castelo da justiça justamente pela mão (com quatro dedos apenas) do próprio rei que iria ser o maior beneficiário deste assassinato.

Pegou então sua pequena adaga e sorrateiramente, com um sorrisinho de Cruela Cruel, cortou a jugular da já inerte Operação Limpa Carroça. De quase omissa e desconhecida uma personagem menor ganha o papel principal nesta tramoia palaciana. E os livros de história haverão de lembrar dela desta forma: a não-juíza que selou o destino da Limpa Carroça.

O epílogo desta dantesca obra ficcional, me contou o Jurandir (um leitor que entendeu perfeitamente este Reino) é que os comparsas do ex-prisioneiro, ex-corrupto e ex-líder de facção criminosa tentarão algo inédito: vão solicitar ao pontífice portenho que o bebum seja santificada em vida.

O nome do santo, segundo o Jurandir, será SÃO LAFRÁRIO.

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