Confesso que tenho medo!

Confesso que tenho medo!

(Imagem: Reprodução/Pixabay)

Confesso que mais do que nunca estou com medo. Aliás, o medo me assombra como um fantasma que devora. Eles foram muitos. Medo que o mundo acabasse. Medo de pessoas mortas. Medo esse que foi tendo outras caras, tomando novas formas à medida em que tempo desfilou pela minha vida. Hoje o medo da perda me apavora. Principalmente, depois que perdi, há quase três meses uma das maiores razões da minha vida. Aliás, já tinha perdido um dos meus três filhos há décadas passadas. E como sempre o tempo vai passando à minha frente, deixando lembranças, mas trazendo uma saudade infinita. E então escrevo.

Confesso que só não tenho medo de escrever o que vejo, o que sinto, o que sei. E é com essa coragem que exponho, sem medo, a minha indignação.

Enquanto médicos, enfermeiros, profissionais da saúde estão exauridos pelo trabalho incansável de um ano a fio, vejo pessoas que deveriam ajudar, estar apavorando. Colocando a guilhotina no pescoço de gestores que já não sabem mais o que fazer perante tamanha pressão. Perante tamanha tragédia.

São ameaças de demitir 100, 200  funcionários, porque o supermercado, a mega loja, vão fechar um domingo. Um dia. Apenas um dia. E os pequenos, os médios, que são os maiores geradores de empregos e que baixam as portas a cada decreto que trata de atividades classificadas como não essenciais?

E como fica atividade individual, o salão de beleza que tem o mínimo de funcionários? E que em muitas vezes é o único ganha-pão? Mas estão ali, firmes. Sabe Deus a que custas. Aliás, sabem muito bem. Às custas da vontade de viver, do respeito e do amor ao próximo.

Eles, todos esses, gritam a angústia, o medo que os apavora. Eles temem chegar ao fim do mês sem recursos para pagar as contas, entre as quais, está o salário do funcionário. Eles gritam, mas a maioria consciente, não ameaça. Porque sabe que milhares de vidas humanas são mais importantes. E entre estas a própria vida, dos familiares, parentes, amigos.

Será que é tão difícil entender que os leitos de UTI, das enfermarias, estão lotados? Que há pessoas morrendo em casa, na UPAS, nos corredores dos hospitais? É tão difícil entender que o vírus está aí, se fortalecendo perante a nossa fraqueza?. Que não caminhamos mais para um colapso, mas para uma tragédia?

Não dá para perceber que médicos já estão dando sentença de morte aos pacientes por conta do longo período de tempo esperando um leito? E se um desses pacientes for eu, você, ou alguém do nosso convívio?

Não posso aqui escrever no singular. Vamos tratar do plural porque somos um coletivo dentro de um barco prestar a afundar. Estamos vivendo uma ‘guerra fria’. E não me refiro aqui sobre o período de tensão geopolítica entre a União Soviética e os Estados Unidos. Nem dos respectivos aliados, o Bloco Oriental e o Bloco Ocidental, após a Segunda Guerra Mundial. Estou falando de uma guerra onde o  inimigo somos nós mesmos. Onde os números são alarmantes. E por isso tenho medo. Todos deveríamos ter medo.

Entretanto, não quero mais escrever sobre perdas. Quero sim escrever sobre a solidariedade do empresário Odacir Antonelli que transferiu equipamentos comprados para o Câncer Center para outras unidades hospitalares.

Ele é o presidente do Conselho Gestor do chamado Hospital do Câncer. Ele sabe e vê o quadro sinistro que chega de mansinho. Ele pode, ele faz pelo bem comum.

Por isso, quero continuar escrevendo aqui sobre o doação que o Grupo Repinho, do qual Antonelli lidera, fez ao Hospital São Vicente, após comprar um equipamento de hemodiálise.

Quero escrever ainda sobre as milhares de doses de vacinas que ele, Odacir Antonelli, anunciou que vai comprar para ajudar a imunizar a população.

Quero escrever sobre aquele que dá. Não quero escrever sobre aquele que tira.

Assim, também não quero mais escrever sobre o medo, mas ter a esperança como fonte de inspiração. E são atitudes altruístas, solidárias, de amor incondicional que me fazem afugentar esse temor. Esse medo que me apavora, que me fere, que causa descompasso no meu coração.

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