A gente quer só comida!

A gente quer só comida!

Comida na lista do consumidor (Foto: Aserj)

Uma das coisas que mais me acalenta a alma é sentar na varanda da minha morada. Principalmente, aos fins de tarde, para ouvir o cato e ver a movimentação dos pássaros se aconchegando nas árvores. Também não dá para deixar de olhar o colorido das nuvens em cada por do sol no horizonte. É um cenário que me atrai. De vez em sempre me traio em busca de um sinal que venha do céu, traçado por um ou dois anjos. Pra mim, os mais belos de todos. Coisas de nós pobres mortais que ainda desconhecemos o mistério da vida além deste plano. É a saudade que nos leva a ter desejos como esse.

Mas voltando ao meu deleito ao entardecer, a música me faz companhia. E especialmente neste sábado, uma delas me chamou a atenção, mais do que sempre costuma fazer. ‘Comida’ não na boca dos milhares de guarapuavanos que passam fome, e que se somam a milhões de brasileiros, mas na voz dos ‘Titãs’.

Se a letra diz que a ‘gente não quer só comida’ e pergunta se temos ‘sede de quê’ eu contradigo. A gente quer comida, sim. Digo isso, porque é incrível como as pessoas se apavoram quando anunciam que o supermercado vai fechar por um dia. Apenas um dia, sim. Que o digam as filas enormes que dobraram esquinas na quinta que antecedeu a Sexta-Feira Santa. E olha que os mais fieis pregam que é de dia de jejum. Que o diga a aglomeração de carros, de pessoas, gerando congestionamento em estacionamentos de supermercados. Que digam os fiscais da Prefeitura que tiveram que ‘fechar’ um supermercado de Guarapuava porque descumpria o toque de recolher, mantendo a loja aberta após às 20h. As redes sociais estão cheias de vídeos que se proliferam também em grupos de WatsApp.

E segue a  música: “A gente não quer só comida, a gente quer bebida…… A gente quer a vida, como a vida quer…Bebida é água! Comida é pasto! Você tem sede de que? Você tem fome de que?… Como diz a música, não quero só comer, eu quero viver. Quero que as pessoas aos meu redor continuem vivendo. E não serei eu a transmitir um vírus cruel. Não seja você. Não sejamos nós a disseminar uma praga letal. Afinal, a “gente não quer só comer…” E falando por mim, quero o prazer das coisas simples, “quero sim, o prazer pra aliviar a dor”.

Leia outras notícias no Portal RSN.

 

 

 

.

Comentários