A gargalhada da morte rasga os ares

A gargalhada da morte rasga os ares

A morte (Imagem: Pixabay)

Os gritos desesperados de familiares nos corredores dos hospitais se misturam às gargalhadas estridentes de quem caminha tranquilamente pelas ruas da cidade. O barulho do caixão fúnebre ‘rasgando’ o concreto do chão de uma ‘gaveta’ fere a alma. Crava a dor alucinante de quem entrega um ente querido à ‘terra’.

Essa mistura vem sendo retratada diariamente pelos noticiários que começam no município, se repetem pelo Estado. Encontram eco pelo país. São médicos, enfermeiros, profissionais da saúde, governantes que repetem a uma só voz: usem máscara, fiquem em casa, cumpram o distanciamento social. Mas que nada! A morte gargalha em cada pessoa que descumpre as normas, que  desrespeita o outro, que ignora a ferocidade de um vírus que mata.

A morte, essa danada, pega carona e se alimenta em cada ‘hospedeiro’ que se aglomera. E assim, sorrateiramente, ela invade lares, tira vidas, aumenta o vazio. Mas segue forte, altiva, dançando aos som do desespero que corta os ares. Rindo dos imbecis que, apesar das cenas de destruição que varrem o Planeta só ouvem uma voz. Aquela que ora diz, ora nega.

Aquela que ignora os números alarmantes de mortes. Que olha, mas não vê – ou não quer ver – que pessoas estão morrendo pelos corredores, em casa, porque não há mais leitos de UTI. Porque os medicamentos já começaram a faltar. Porque o oxigênio da vida está faltando. Porque os profissionais de saúde estão exaustos. E não porque estão trabalhando há ano. Mas, principalmente, porque se sentem derrotados na luta da vida contra a morte. É a mesma agonia que sufoca o comércio agonizante, que cria paranóia na população. Que leva todos a um surto emocional coletivo.

Entretanto, essa massa alienada continua firme se negando a ver que o mundo mergulha no caos. Que já protagonizamos um genocídio. Que já, enquanto brasileiro que somos, estamos sendo barrados em muitos países. Porque nos enxergam como ‘hospedeiros’ do mal pelas atitudes insanas que surgem de cima. Assim, em tom de verde e amarelo. No tom do ‘Eu te amo, meu Brasil, eu te amo’. Acho que ouvimos essa música recentemente e que fez desfilar pela lembrança aqueles tempos cruéis. Período em que nos fez repetir: Brasil, nunca mais!

Mas de volta ao presente, embora temendo o retorno do passado, ouvimos os gritos ensurdecedores da perda. Eles continuam, cada vez mais, preenchendo os corredores dos hospitais pelo país afora. Pois é: como se vê,  a ‘gripezinha’ avança, e dança, e gargalha, e mata.

Leia outras notícias no Portal RSN.

 

 

 

Comentários